Ilha Anchieta já abrigou presídio e foi cenário de uma fuga cinematográfica

Passado e presente se encontram em área que hoje abriga um Parque Estadual e recebe cerca de 90 mil turistas por ano.

Quem visita a praia da Enseada em Ubatuba logo se pergunta sobre a grande ilha em frente, a poucos quilômetros do continente. A Ilha Anchieta, hoje Parque Estadual, é a segunda maior ilha do estado de São Paulo, com cerca de 826 km². Além de centenas de espécies de aves, o lugar também é considerado um dos melhores pontos de mergulho do país.
Agora, o que ninguém imagina são as histórias do passado desse lugar. Até o século XIX a área era habitada por povos indígenas e logo após o descobrimento do Brasil foi colonizada pelos jesuítas, como o Padre José de Anchieta, um personagem tão importante que deu origem ao nome da ilha. Durante séculos, milhares de imigrantes contribuíram para escrever parte da história da ilha. E numa dessas fases, foram para a região imigrantes da extinta União Soviética. Eles se instalaram na ilha mas como não conheciam muito bem a fauna e a flora, enfrentaram graves problemas. Na visita da equipe do Terra da Gente à ilha, em 2013, foi possível conhecer um cemitério, onde estima-se que estejam enterradas cerca de 200 pessoas, que morreram depois de comer mandioca. Segundo o monitor ambiental Elvis Zuin, eles consumiram um tipo de “mandioca brava”.
Ao todo foram 400 anos de ocupação europeia, até que o lugar então conhecido como “ilha dos porcos” mudou de nome e de função. Entre 1902 e 1908 quem morava na ilha precisou sair. Isso porque ali passaria a funcionar a Colônia Correcional do Porto de Palmas, prisão para os bandidos mais perigosos da época. Na ilha eles trabalhavam e aprendiam uma profissão. O projeto arquitetônico, de Ramos de Azevedo, chama a atenção até hoje pela imponência. São oito celas com capacidade para 60 prisioneiros. Na época em que foi usada como cadeia para bandidos que perturbavam no continente, chegou a abrigar 480 homens, que se encontravam numa espécie de pátio. As brigas eram constantes. Um problema de segurança. Até a chegada de um detento conhecido por “Portuga” mudaria a história da ilha.
A partir de 1928 o lugar passou a receber presos políticos, até se tornar o primeiro presídio de segurança máxima do Estado de São Paulo. Outro fato importante da história da ilha foi o fato do lugar receber, em 1983, diversas espécies da fauna brasileira vindas do Zoológico de São Paulo, situação que gerou alguns problemas com os bichos que já viviam no lugar. Foram contabilizadas ali 72 espécies de aves como o juriti, o tangará, o tiê-sangue e o coleirinho. A ilha possui sete praias e diversas trilhas para caminhada, além de passeios de escuna.

Fonte: G1/Globo.com